S14-01

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Covering atrocity: do jornalismo aos mobiles, como e porque as imagens violentas são tão atraentes

Em tempos de comunicação móvel, parece que as velhas práticas da tragédia grega estão de volta. Ou seja, há algo estranhamente em comum entre o século V a.C. e a interatividade tecnológica dos dias de hoje: a exposição sem critérios de imagens de horror. A representação trágica que ocorria nos palcos a partir dos tragediógrafos (como exemplo: Ésquilo, Sófocles e Eurípedes) encontra-se banalizada nas telas móveis da chamada geração Smartphone. Há que se verificar uma gravidade a mais nesta espécie de reedição do sensacionalismo imagético: o poder de rejeição e/ou de compartilhamento do espectador é bem maior. No entanto, o que se vê é o encantamento do sujeito pelas imagens de horror e o aumento do poder de impacto das cenas violentas.

A proposta deste artigo foi inspirada na campanha publicitária alemã “Sei Kein Gaffer” (“Não seja curioso”), realizada em 2016 pela agência de notícias Deutsche Welle, na qual chama a atenção para o registro de imagens de pessoas em situação de emergência, em função do excesso de fotografias de acidentes feitas por meio de telefone celular. Além disso, algumas imagens de primeira página dos jornais (por exemplo, a fotografia do menino sírio morto numa praia da Turquia, em 2015) também motivaram esta reflexão sobre os limites para a publicação e o compartilhamento de imagens de horror.

Empiricamente, foi realizada pesquisa com 400 usuários de smartphone que têm o hábito de partilhar imagens desta natureza, a fim de entender suas motivações e avaliar os riscos inerentes a tal prática. A investigação envolve também os impactos da divulgação de imagens violentas no indivíduo e a construção de imaginário coletivo baseado na dor e no sofrimento alheio como forma de interação digital com o mundo.

Palavras-chave: Imagem; Jornalismo; Violência; Cidadania; Acidentes; Horror.

Firmantes

Nombre Adscripcion Procedencia
Nilton Marlúcio de Arruda Universidade Fernando Pessoa Portugal

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